New Order e sua Nova Ordem

Sei que já faz uma semana que terminou o terceiro Lollapalooza Brasil, mas não tivemos tempo para fazer posts sobre o evento durante a semana. Então trago no mínimo uma resenha de um dos shows que eu mais esperava ver no festival, o do New Order. O Victor está fazendo posts sobre o evento em geral para os nossos parceiros do Troca o Disco, que serão postados aqui futuramente.

Antes de falar do show em si, vou fazer um pequeno resumo da banda para que vocês possam acompanhar o post sem problemas. Formado pelos membros restantes da lendária banda de Manches20140406_205755ter, o Joy Division. Com uma carreira meteórica (o primeiro álbum do Joy Division, o clássico Unknown Pleasures, foi lançado em abril de 1979 sendo acompanhado por turnês cada vez maiores), a banda acaba em maio de 1980 após o suicídio de seu genial vocalista Ian Curtis, antes da primeira turnê norte-americana da banda, provavelmente por causa dos problemas emocionais, a epilepsia e a pressão da fama que ele sofria. Os membros remanescentes, Bernard Sumner (guitarra, vocal), Peter Hook (baixo) e Stephen Morris (bateria) mudaram o nome do grupo em respeito ao antigo colega e formaram o também lendário New Order, com a entrada posterior da namorada e atual mulher de Morris, Gillian Gilbert (teclado, sintetizador). Depois de oito álbuns de estúdio e vários clássicos, a banda se separa pela primeira vez em 1993 com cada membro indo para seus projetos paralelos. Reúnem-se novamente cinco anos depois, lançando dois novos álbuns e se separando novamente em 2006. A versão que vemos no palco, sem a presença do carismático baixista Hook, foi reunida novamente em 2011 lançando o último trabalho da banda, o álbum Lost Sirens, e com a entrada de Tom Chapman no baixo e Phil Cunningham na guitarra. Para saber melhor sobre os motivos da separação da banda, recomendo que leiam essa entrevista com Peter Hook feita pela revista Rolling Stone.

Após essa pequena apresentação da banda, vamos para o show. A minha opinião sobre o horário do show é bem expressa nesse abaixo-assinado. “Como uma banda como o New Order fica no palco secundário e ao mesmo tempo que o headliner do dia?” Depois do show entendi o porquê.

A banda entra u20140406_204440m pouco atrasada tocando a instrumental Elegia como introdução, coloca uma camisa da seleção brasileira nos amplificadores e Morris usa outra. Boa escollha de música de entrada, mostra como vai ser o som do show e transmite um clima hipnótico. Seguido por uma música com guitarras potentes e um vocal forte, Crystal levanta todo o público. Entre as músicas, Sumner solta uma pequena gafe recebida com frieza pelo público ao dizer “muchas gracias”. Para alegria dos fãs de Joy Division (uma das camisetas mais presentes entre o público do dia), seguimos com Transmission.

A nova música do grupo, Singularity não desperta interesse entre o público. Erroneamente chamada de Drop the Guitar, Sumner mostra a sua insatisfação com essa confusão e até soletra o nome certo, mandando as pessoas procurarem no Wikipédia e escutar de qualquer jeito, mesmo fazendo downloads ilegais. Com apresentações medianas de duas das primeiras gravações da banda, Ceremony e Age of Consent, chegamos em um momento que eu acho crucial para entender o show, a performance de Your Silent Face. Depois de sair da banda, Peter Hook monta outra e faz turnês tocando todos os materiais feitos até então, passando pelo Joy Division e tocando Movement e Power, Corruption & Lies na sua última turnê. Temendo a concorrência, o restante do New Order começam as suas turnês. Voltando ao show, o telão atrás deles mostrava um vídeo de paisagens em que no final é citado cada membro da banda, o nome da música e o seu álbum, terminando com “a New Order production”. Como essa música pertence ao Power, Corruption & Lies, a impressão que se passa é a negação do grupo do Peter Hook e a confirmação de que esse é o novo New Order.

Em World, apesar de ter sido bem tocada, os vocais femininos fizeram falta, tirando um pouco da emoção da música. Sequencia matadora com Bizarre Love Triangle, que Sumner alega tocar por conta d20140406_204636e um fã que a pediu no hotel (a banda tocou essa música em toda sua turnê latino-americana). As pessoas enlouquecem e cantam a todos pulmões a maravilhosa True Faith, seguido por uma calmaria com 586. Uma das maiores decepções da noite foi a performance de The Perfect Kiss. Parecia que cada integrante tocava uma música, deixando uma confusão de sons. O clássico Blue Monday, que levou todo mundo a dançar, também decepciona com o remix estranho que eles fizeram no meio da música, mas se salva com o solo improvisado de Sumner no teclado e o único sorriso que Gilbert dá no show inteiro. Temptation termina a primeira parte do show depois do horário programado, onde já se via os fogos de artifício de encerramento. Talvez por achar que tinha realmente acabado, muitos foram embora do show, mas quem continuou no palco pedia por bis. Quem ficou não se arrependeu e escutou mais Joy Division. Atmosphere, com um som tranquilo, e a clássica Love Will Tear Us Apart com uma homenagem à Ian Curtis ao fundo e a frase que emocionou a todos presentes: “Forever Joy Division”.

No geral, o New Order fez um bom show, com um setlist bem elaborado, que poderia contar com outros clássicos da banda como Regret (uma das mais pedidas pelos fãs que ficaram na grade pós-show). O que atrapalha toda apresentação do New Order é a saída de Peter Hook. Além de ser praticamente um símbolo da banda (em todas as músicas, o baixo é o instrumento que mais se escuta), o seu carisma animava os shows e fazia uma oposição à falta de jeito de Sumner com os fãs (fato que se podia ver nas várias gafes que ele solta no show). Essa mudança de integrantes mudou totalmente o som da banda, deixando-os às vezes fora de sintonia e quebrando o feeling de algumas músicas nas suas melhores partes. Em poucas palavras, temos um novo New Order que não está ao mesmo nível da banda que marcou a vida de muitas pessoas nos anos 80 e 90, deixando apenas um saudosismo para os seus fãs em suas apresentações.

 

Não achei um vídeo do show inteiro, mas confiram pelo menos a banda tocando Ceremony:

 

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