Resumo do primeiro dia da Semana Internacional de Música de São Paulo 2015

Sim queridos leitores, nosso humilde portal de entretenimento participará SIM Credencialda Semana Internacional de Música (SIM) de São Paulo, uma das mais importantes feiras de negócios de música da América Latina. Durante os quatro dias de eventos, teremos um encontro de profissionais de todos os setores da indústria musical, artistas, jornalistas e formadores de opinião de todo o mundo. Nesse ano, o foco da convenção é o novo mercado de música e as novas ideias e conceitos que estão mudando o cenário mundial. O evento consiste em três setores: SIM Live com shows das novas tendências musicais, a Convention com palestras sobre o tema, e, o Business & Networking o setor de negócios que visa o incentivo a novas parcerias tanto nacionais como internacionais.

Nesse ano, a feira ocorre dentro do Centro Cultural São Paulo (CCSP) durante os dias 2 a 5 de dezembro. Com um público estimado de mais de 1200 credenciados, que lotou as pequenas salas de palestras do evento. Fora esse pequeno incomôdo, o dia não teve problemas com sua extensa programação que pode ser conferida aqui.

O dia começa com uma palestra de Pena Schmidt, ex-empresário e atual diretor geral do CCSP, um senhor bem simpático que deu um panorama da música atual. Também salientou que fora a internet, os festivais, as pequenas casas de música, as rádios web e os coletivos para a divulgação, o artista tem que ser presente. “Música é uma causa”, ele diz reforçando a importância da mobilização.

O jornalista Leonardo Salazar, da SEBRAE Recife, apresenta a segunda palestra do dia baseado no seu livro “Música Ltda.“, um estudo sobre a música na perspectiva do negócio e do empreendendorismo, que você pode fazer o download aqui.

Na palestra sobre o cenário musical da Cidade Maravilhosa, Julianna Sá (Dobra Comunicação) diz que a cena do Rio

é tímida comparada com os outros estados e que os projetos musicais como o Imperator são importantes para a sua retomada. Leonardo Salomão do Sesc Rio aponta a grande contradição da cidade como sede de grandes eventos culturais como o Rock In Rio. Olímpiadas e outros grandes shows, e a falta de uma cena local alternativa. Aponta como causas o fechamento de casas de música, em especial o Circo Voador, o fim das grandes gravadoras e a falta de grandes festivais. Aponta que para o plano cultural voltar a crescer, deve-se fazer um crowdfunding de ideias. Daniel Domingues da Secretária de Cultura do Estado do Rio mostra o interessante Mapa Musical RJ, um projeto que busca ajudar auxiliar as prefeituras e pessoas a promoverem eventos culturais.

SONY DSCDepois temos um painel explicando como funciona a lei Rouanet de apoio a cultura. A lei surge no governo Collor com a intenção de buscar apoio político no setor cultural. Em seus 24 anos de existência, mudanças foram feitas com destaque no decreto 5761 que inclui a contrapartida social nos editais e os artigos 18 e 26 que separam editais em duas categorias, respectivamente: instrumental/erudito e cantado (música popular). Com mais de 4300 projetos realizados, deve-se tomar um cuidado na hora de comparar os números pois os projetos são muito diferentes entre si. Música leva 22% da verba, com uma concentração no Sudeste, principalmente no Rio pelos investidores estatais serem de lá. De todos os projetos enviados como música, 29% foi aprovado em 2012 e dentre eles, os de MPB foram os de menor aprovação.

No painel com grandes nomes de produtores de festivais, Coy Freitas da Skol Music diz que além de patrocinar SONY DSCgrandes festivais do país (Lollapalooza, Tomorrowland, EDC), a empresa se preocupa com as bandas brasileiras e que na hora de importar festivais, “não basta só trazer o line-up, tem que trazer a experiència inteira”. Maurício Soares do Tomorrowland foca no fator público para a promoção de festivais e na importância da questão cultural do festival. Claudio Romano responsável pelo Rock in Rio e o Sónar (que diminuiu o conceito e pretende crescer organicamente junto com o público) nos lembra da dificuldade de se criar um festival do zero e a “facilidade para o produtor da marca pronta” por já ter reconhecimento tanto do público como das empresas. Reforça a mensagem ao dizer: ” Quem cria festivais são pessoas guerreiras que vão até o fim”. O francês Olivier Delsalle responsável pelo festival Ile de France faz o contra ponto ao dizer que a França não tem o costume de exportar festivais sem ser de música clássica, o foco é o networking. Para ele, o festival tem muito vínculo com a sua região e não se pode esquecer do território do festival na hora de exportar.

Dei uma conferida no show de Chico Salem, guitarrista de Arnaldo Antunes, que irá lançar um novo disco em breve. Com um ritmo que mistura várias influências como folk, rock alternativo e a sonoridade brasileira, fez uma ótima apresentação que me chamou a atenção. Vale dar uma conferida.

Marcelo Goldenstein do BNDES demonstrou como os artistas podem pedir emprestimo e investimento direto do SONY DSCbanco. Salienta que o setor cultural só se tornou relevante para o banco em meados dos anos 2000 com a criação de um departamento próprio para o setor, o DECULT. Por ser recente e ter entrado em um mercado em transformação, o banco está aberto a novas possibilidades de atuação para ajudar o setor musical.

Não podia deixar de ver o show do Far From Alaska. uma banda potiguar que canta em inglês que já acompanho faz um tempo. Marcados por seu som parecido com o Dead Weather, um som pesado junto com uma apresentação agressiva, gritos distorcionados e um grande entrosamento entre as duas vocalistas. Uma otima indicação.

SONY DSCDepois a Natura Musical demonstrou os selecionados para receber patrocínio para o próximo ano, que você confere aqui. Para quem não conhece, o programa Natura Musical  visa o incentivo à música com mais de 300 projetos patrocinados e mais de 100 cds lançados, alguns até recebendo premiações internacionais como o Grammy Latino. Nesse ano, foram mais de 1700 editais enviados, mas apenas 31 contemplados. Sobre a seleção, o júri e crítico musical Zuza Homem de Mello diz: “A mídia é um lado da medalha. O outro lado da medalha é o que a Natura procura. […] A mídia é manipulada, esse projeto não é manipulado.”

Fui dar uma olhada na banda chilena Fando que poderia classificar como um Tame Impala cantado em espanhol. Uma banda que não tem medo de beirar a psicodelia e o experimentalismo. Foi uma expereência musical envolvente com um instrumental alucinógeno.

Fechando as palestras, o professor da Berklee, Peter Alhadeff faz uma análise do Fair Music Report e avalia quais são SONY DSCos problemas enfrentados pelas gravadoras e os serviços de distribuição da música gravada. Também aponta qual o futuro da música nesse ramo.

Para finalizar, temos o show do Bixiga 70 uma banda paulistana de música instrumental com um ritmo dançante. Com uma mistura de vários ritmos latinos e africanos, a banda pôs quase toda a platéia para dançar. De grosso modo, seria um Jamiroquai instrumental. Músicos competentes tocando diversos tipos de instrumentos, um show imperdível.

 

Esse foi o primeiro dia. Depois farei um post sobre os demais dias.

 

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