Maximus Festival: ferrugem, fogo e Rammstein

Por Rodrigo Ajauskas

São Paulo recebeu, neste último feriado de dia da independência, atrações de peso do cenário mundial do metal e gêneros relacionados. O festival Maximus realizou a sua estreia no Autódromo de Interlagos, contando com dois palcos principais adjacentes e um terceiro, de tamanho reduzido, próximo à entrada principal do evento. Seus palcos e áreas, todos seguindo um estilo industrial rústico, eram inspirados e nomeados com referências aos filmes da série Mad Max – o mais recente deles, inclusive, levou seis estatuetas do Oscar em sua última edição, incluindo o prêmio de melhor direção de arte.

14274451_1232155260149140_1284591031_oDeuses do metal (?) do Maximus Festival

O festival contou com quinze bandas em seu lineup, tendo como headliner a banda alemã Rammstein. A última performance da banda no Brasil havia sido em 2010, também numa quarta-feira – porém não de feriado e para um público bem menor. Com um público maior e orçamento mais generoso, a banda teve a oportunidade de fazer uma apresentação compatível com as de seus grandes shows. Muito mais que apenas música, a apresentação do grupo é marcada pelos efeitos pirotécnicos e encenações do vocalista e líder Till Lindemann e de Christian Lorenz, tecladista.

Dentre as apresentações do início da tarde, a banda Steve’n’Seagulls destoava das demais. Famosos na internet por seus covers de clássicos do rock e metal, utilizando instrumentos e inspiração “caipiras”, divertiram o público que chegava cedo ao festival e cantava junto hinos como Aces High e Thunderstruck. Um pouco mais tarde, a banda Far From Alaska se apresentou no palco Thunder Dome. Na apresentação, de meros trinta minutos, a banda teve problemas técnicos com o contra-baixo, e deixou de tocar a sua musica de encerramento devido ao tempo perdido para a correção desses problemas. Apesar disso, foi suficiente para animar uma plateia não familiarizada com a banda.

 

14315470_1232155270149139_2144004160_oSteve’n’Seagulls: acordeon, banjo e pegada de fazendeiro

A partir das 4h45 da tarde as performances ocorreriam apenas nos dois palcos principais, de maneira alternada, onde cinco shows ocorreram com apenas 5 minutos de tempo entre eles: Halestorm, Bullet For My Valentine, Disturbed, Marilyn Manson e finalmente Rammstein.

Halestorm, banda de vocal feminino liderada por Lizzy Hale, fez uma performance consistente para um público que começava a crescer. A vocalista, assim como o baterista, interagiram bastante com o público, como bons showmen (e women?) norte-americanos. Na sequência, os galeses do Bullet For My Valentine tocaram durante o por do sol e início da noite para um público que já ia se acomodando para os shows que ocorreriam mais tarde.

Utilizando bem a estrutura disponível para o palco principal, Disturbed fez um ótimo show, que teve como ponto alto a sua versão de Sound of Silence, clássico de Simon & Garfunkel. Em seguida, Marilyn Manson realizou o último show do palco Rockatansky, numa apresentação marcada por longas pausas entre canções e uma frequente troca de roupas e assessórios do líder do grupo.

14284892_1232155263482473_372990097_oDisturbed mais tranquilo e com formação diferenciada para o cover de Sound of Silence

O grande nome da noite, Rammstein, iniciou o seu show com poucos minutos de atraso. No telão, antes da performance, era exibida uma mensagem pedindo para o público não filmar o show e aproveitá-lo – tanto em inglês como em português – o que muita gente não deixou de fazer com o início da famosa pirotecnia de suas apresentações. O show se iniciou após uma contagem regressiva de 60 segundos que gerou uma grande expectativa no público presente. Ramm 4, a mais nova canção do grupo e que contém referências à diversas canções consagradas do grupo, abriu a apresentação, seguida pelo clássico Reise Reise.

14284955_1232155266815806_2146709732_oLindemann botando fogo em Lorenz, que estava dentro da banheira. Pouco fogo perto dos demais momentos de show!

A setlist da banda seguiu com músicas conhecidas da maioria do público, que não se acanhou ao acompanhar a banda cantando junto os refrões das canções, predominantemente em alemão. A banda fez seu primeiro encore após tocar um cover de Stripped, do Depeche Mode, voltando ao palco para tocar Sonne, Amerika e Engel – música em que Lindemann veste um par de asas de anjo que, obviamente, contava com dispositivos de lançamento de fogo. Com o público gritando repetidamente “Te Quiero Puta” (algo que, fora de contexto, soaria um tanto quanto estranho), a banda voltou para tocá-la num segundo encore, conforme havia feito no show realizado no Chile no final de semana anterior.

A sensação após o show é de que os mais 90 minutos de apresentação não foram suficientes para a grandeza do Rammstein, ao lembrar de canções que ficaram de fora. E também de que show nenhum pode ser tão empolgante sem pirotecnia!

A próxima edição do festival já tem data marcada para o primeiro semestre de 2017 – o que era anunciado numa vinheta exibida entre apresentações, que continha um trecho de “Links 234” do Rammstein (que já era suficiente para animar o público). Resta saber qual será o headliner para um festival onde tudo, da decoração aos efeitos especiais, parece ter sido feito na medida para receber o metal industrial do Rammstein.

 

 

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